O desastre do adulto burro e a “superioridade” da velha animação

Ontem comecei a maratonar um dos meus animes favoritos da infância: Dragon Ball. Eu só assisti inteiro uma vez, muito por não achar inteiro em outro lugar. Agora ele tá disponível na Crunchyroll e Claro Vídeo.

Já na abertura, a nostalgia berrou em meu interior. O Ward’zinho em meu coração tava sorrindo alegre, feliz.

Até que a gente (o Ward’zinho e eu) chegamos na fatídica cena de Son Goku descobrindo a diferença entre meninos e meninas. A cena inteira é um espetáculo de diálogos.

Vamos a ela: No episódio 2, lá pelo minuto 13, o pequeno Goku, uma criancinha de 11 anos, acorda bem cedo e vê a Bulma dormindo ao lado, sem o cobertor e com a camisola levantada. Lembre-se, é uma criança de 11 anos, ele não pensou em devassidão como você, caro leitor.

Então, acostumado a deitar entre as pernas de seu avô Son Gohan, Goku foi fazer o mesmo com a Bulma pra matar a saudades dos tempos em que era feliz com o avô. Mas ao encostar a cabeça na virilha da Bulma, ele sentiu que tinha algo errado. Levantou, bateu duas vezes na virilha da moça!

Continuou estranhando. Então, ele resolveu fazer o que toda criança faz: curiar. Tirou a calcinha da Bulma, e então ele teve um espanto. Gritou e, ao fazer isso, Bulma acorda assustada.

— AH, O QUE FOI? O QUE ACONTECEU? TEM ALGUM MONSTRO?

— SUAS BOLAS, ELAS SUMIRAM!

Ela levanta em desespero até a bolsa, exclamando:

— MEU DEUS, AS ESFERAS DO DRAGÃO!

Ela abre a bolsa, e as esferas estão lá. Para seu alívio.

— Ah, ufa. Elas estão aqui. Por que você me assustou assim Goku? Enfim, vamos tomar o café da manhã.


Esse diálogo só aconteceu no Brasil UMA VEZ. Lá em 1998, quando o SBT exibia Dragon Ball no Bom Dia & Cia.

Já parou de rir? Ok, eu espero…

Isso é inocente, lembre-se. (Créditos: TV Tokyo e Toei Animation/Divulgação)

Claro, isso quando as pessoas não eram burras de imaginar que uma criança de 7 anos ia sequer entender o que realmente aconteceu ali. Fora que nem preciso dizer que Dragon Ball nunca foi um anime para crianças. Hoje, pra ver esse diálogo, só na edição japonesa. A dublagem se perdeu. Mas ninguém merece a voz original do Goku. Nem hoje em dia. Eu nunca consegui assistir Dragon Ball no original. Por isso perdi Dragon Ball Super: HERO.

E infelizmente, não foi só esse diálogo que foi suprimido ou simplesmente limado. Vários outros momentos dos primeiros 13 episódios foram sumariamente escorraçados da dublagem e da animação.

O mais triste de tudo isso é a mentalidade burra do adulto julgar que só porque é animação, é pra criança. E não é assim. Quantos casos de pais levando filhos pra filmes com o selo +18 anos estampado bem grande no poster aconteceram no Brasil?

Só pra citar dois exemplos: Festa das Salsichas e… Deadpool. Isso mesmo. DEADPOOL. Provavelmente o personagem mais devasso, impuro, maluco e pansexual da história da humanidade.

As pessoas precisam parar de pensar com o intestino grosso e pensar mais com aquela massa cinzenta que deveria estar localizada no interior da caixa craniana, logo abaixo do coro cabeludo e atrás dos olhos e ouvidos*. *EU SEI

Enfim. Outra coisa que queria destacar, é como a animação de antigamente é mais… “cuidadosa”. Cuidadosa no sentido de dar a sensação de movimento. Os traços japoneses nunca foram lá essas coisas, e a qualidade tecnológica das animações antes dos anos 90 era basicamente barro fofo e pedra lascada.

Mas a sensação que eu tenho é que antigamente os animadores tinham muito mais vontade de entregar algo bem feito do que hoje. Hoje o caboclo roda um script no Vegas Pro e pronto, se o personagem mexeu a perna, independente se fez o movimento certo, tá bom.

O único cuidado que importa pros animadores japoneses é na região do tórax feminino. E tem até uma equação matemática pra esse movimento. Dizem!

Atualmente, acompanho um anime chamado Black Summoner. É divertido, me faz rir. Tudo que eu quero nesses últimos tempos. Mas, quando chega na hora do protagonista lutar, eles colocam uma animação 3D encima da 2D que é MUITO, MUITO, MUITO tosca. É horrível demais. Não adianta usar a desculpa que é um anime semanal pra TV. Aquilo foi feito com uma qualidade bem merda por pura preguiça.

O exemplo que um anime ser semanal não é motivo pra fazer animação ruim é o trabalho MAGISTRAL que a Ufotable fez em Demon Slayer. O episódio 19 é o mais bonito e tecnicamente bem trabalhado de qualquer, QUALQUER animação das últimas décadas. É lindo. O anime todo é, mas o 19 se superou, tanto que ficou mais de 1 mês nos Trending Topics de vários países no Twitter.

O problema é que as TVs japonesas não querem gastar baldes de dinheiro na animação, só querem receber os lucros proveniente delas. Aí pedem pra qualquer estúdio bunda fazer um anime e sai algo como as lutas de Black Clover, Naruto e Black Summoner que mencionei acima.

Espero eu que isso mude pra melhor algum dia. Bleach está vindo aí e, como o mangaka está envolvido na animação do último arco, o trailer mostrou que podemos esperar algo nível Demon Slayer. Mesmo sendo feito pela Pierrot. Quem sabe Bleach não dá o pontapé que a gente precisava pra ter animes feitos com melhor qualidade? 🤔 👀

Publicado por Ward'z de Souza

Ator, apresentador, geek, locutor, colunista DRT 0050804/SP Um dos 7 bilhões de experts em fotografia ;·) Anime, mangá, 📺, 📻, cultura do 🇯🇵🇬🇷🇮🇹 🌏.

Um comentário em “O desastre do adulto burro e a “superioridade” da velha animação

  1. Essa cena é hilária, e realmente a qualidade técnica do anime em geral anda no chão, tudo linha de montagem. Um monte de truques pra animarem o mínimo possível, parece as desanimações da Marvel nos anos 70.

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